Pesquisa mostra o alto endividamento do brasileiro

Depois que escrevi dois artigos aqui sobre contabilidade pessoal e gerenciamento financeiro, dizendo que a maioria dos brasileiros não sabe administrar o que ganha e gasta mais do que recebe, saiu uma pesquisa hoje pra corroborar minha assertiva.

Veja neste artigo todos os detalhes em porcentagens.

Resumindo: neste mês de julho, o cartão de crédito lidera as dívidas dos brasileiros, com mais de 70% delas. Depois do cartão, vem carnês e financiamento de veículos.

Mas o mais interessante é que esta pesquisa mostra o que eu vi numa outra pesquisa há uns dez anos: não importa a classe social da pessoal, o endividamento é semelhante. Ou seja, quem ganha até 10 salários mínimos ou quem ganha mais do que isso, tem o mesmo nível de dívidas, ou seja, em torno de 70% dessas pessoas estão nessa situação.

Aliás, a pesquisa antiga à qual me refiro mostrava que não importava o nível social ou salarial da pessoa, todos gastavam percentagens semelhantes de seus ganhos com as mesmas coisas, tipo transporte, alimentação, vestuário, saúde, etc. Se a pessoa ganhava 1 salário mínimo ou 100 salários mínimos, cada um gastava, em termos percentuais, a mesma proporção com cada coisa. E o problema da má administração também é geral, independente do nível de escolarização da pessoa.

Para mim, o maior problema que isso traz é a busca de empréstimos para pagamentos das dívidas. Não por acaso o país está pululando de empresas que fazem empréstimos. E as pessoas acham que isso é solução, tomar empréstimos a juros altíssimos para pagar dívidas contraídas de maneira impensada.

Se não houver uma educação financeira da população, não há previsão de onde isso pode chegar. Aliás, como o microcosmo reflete o macrocosmo, e vice-versa, não é à toa que houve essa derrocada financeira mundial, por absoluta má administração dos recursos financeiros mundiais.

Ou seja, um grupo de pessoas no Brasil ou um grupo de países europeus ou da América do Norte tem o mesmo problema: a maioria não sabe administrar seus recursos e gasta mais do que ganha. É bom atentar pra isso: não é só ter despesas maiores que a receita, é também gastar mal, não saber aplicar o dinheiro em coisas rentáveis e úteis.


Assim, a situação é simples: ou se aprende a administrar os recursos a curto prazo, no micro e no macrocosmo, ou a derrocada financeira mundial vai continuar e piorar cada vez mais, até o colapso total do sistema financeiro vigente.

E só tem uma maneira de mudar essa situação: é tomar uma atitude imediata e aprender a gerir os próprios recursos, pois todo aquele que administra bem suas finanças irá também cobrar dos outros a mesma coisa, e assim até chegar ao gerenciamento do dinheiro público.

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Como li uma vez  em uma palestra de CK Chow, ex-CEO da GKN, que traduzi para o português, em que ele ensinava que administrar uma empresa de 1 funcionário ou uma empresa de 50 mil funcionários exige as mesmas habilidades e capacidades. E quem gere mal uma vai fazer o mesmo com a outra, pois os princípios de administração são os mesmos. E quem o fizer bem, sempre o fará, independente do número de pessoas que trabalham para a empresa.

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Desta vez eu me adiantei ao Globo Repórter desta sexta-feira, 23/07/2010, pois escrevi esta série de artigos sobre finanças pessoais esta semana, sem nem saber que haveria um programa hoje sobre este assunto de controle financeiro e dívidas, especialmente no cartão de crédito. Mas, afinal de contas, este é um assunto que precisa ser tratado sempre, além da reflexão sobre o problema pessoal de cada um sobre a necessidade de ficar criando dívidas para si.

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